quinta-feira, 11 de junho de 2009

As principais contribuições dos educadores e filósofos do pensamento pedagógico iluminista


PONTAROLO, Regina Sviech ¹
COLLARES, Solange Apª de O.²
NASCIMENTO, Maria Isabel Moura ³


Resumo: O presente trabalho tem por finalidade analisar o século XIX que foi marcado pelo triunfo ativo das ciências biológicas. Novos conceitos da natureza e do desenvolvimento do homem dominam no palco científico e precipitam a guerra entre as crenças que sombreou o espírito ocidental. Entre eles os filósofos e educadores como: Rousseau, Pestalozzi, Herbat, Froebel, que viveram neste período, contribuindo com novas perspectivas para a educação, entre elas o trabalho educativo em torno do espírito da criança.

Palavras-chave: natureza, desenvolvimento humano, governo, Estado e educação.

Abstract: The present work has for purpose to analyze century XIX that it was marked by active triumph of biological sciences. New concepts of the nature and the development of the man dominate in palco scientific and precipitate the war between the beliefs that the philosophers and educators as : Rousseau, Pestalozzi, herbart, Froebel that they had lived in this period, contributing with new perspectives for the education, between them the educative work around the spirit of the child.

Key - Words: nature, human development, government, State and education.

Introdução:

O presente estudo tem por finalidade analisar a contribuição de alguns filósofos e educadores como: Rousseau, Pestalozzi, Herbart, Froebel, que viveram num período histórico marcado por profundas transformações: o século XIX. Nesse período, a Europa estava vivendo o grande desenvolvimento das forças produtivas e avanços tecnológicos, bem como da consolidação da ideologia e da divisão social. Nesse processo, a educação tomou seu lugar de destaque na busca de transformação social.

O artigo procura apresentar as principais diferenças entre os filósofos e educadores citados acima, ou seja, Pestalozzi possui um caráter prático e empírico, já Herbart e Froebel apresentam uma feição sistemática melhor estruturada e uma penetração filosófica mais profunda, além das diferenças apresentam-se também as principais contribuições dos mesmos � teoria educacional ao longo do tempo e também algumas conclusões acerca de suas teorias e métodos.

Jean-Jacques Rousseau:

Rousseau é conhecido, com razão, como o maior filósofo da soberania democrática, por seu notável conceito de vontade geral como única força de poder legítimo na sociedade, deve ser também considerado parte da tradição intelectual na Europa Ocidental que viria a culminar com o Estado do século XX.

Nasceu em Genebra, a 28 de junho de 1712, filho de Isaac Rousseau e Suzanne Bernard, filha do pastor da localidade. Abandonada por seu esposo que parte para Constantinopla, Suzanne implora ao marido que retorne para a sua casa, pois se sente sozinha. Após o retorno de seu esposo, nasce Jean-Jacques Rousseau, um menino fraco, doente e que causara o falecimento da sua mãe.

Durante muito tempo, pai e filho viveram do culto a Suzanne e os dois leram uma grande coleção de romances que ela deixara. Liam sem parar após a ceia e assim passavam a noite. Jean-Jacques Rousseau tornou-se um amante apaixonado da leitura, mas totalmente incapaz de adquirir os hábitos e atitudes convencionais da vida normal.

Quando tinha dez anos, o seu pai o abandonou e ele foi enviado para a escola de Bossey junto com o seu primo. A estada em Bossey estendeu-se até 1724, quando Rousseau completou doze anos de idade. Seus estudos serviram para familiarizá-lo com os problemas sociais e filosóficos comuns que agitavam os espíritos dos homens,. Montaigne, Leibniz, Locke, Pope e Voltaire causaram-lhe a mais profunda impressão (EBY, 1978, p.279).

Influenciado por inúmeros pensadores, Rousseau acreditava que o governo e a educação poderiam surtir efeito na sociedade independente das mudanças políticas.

Para Rousseau:

Cada cidadão seria, então, completamente independente, de todos os seus semelhantes, e completamente dependente do Estado, o que sempre ocorre pelos mesmos métodos; porque é apenas pela força do estado que a liberdade de seus membros podem ser assegurada.(NISBET, 1982, p.157).

Na obra O Contrato Social, Rousseau formula a teoria do Estado da natureza como condição da liberdade e da igualdade e com a afirmação da pessoa humana como sujeito de todo direito e, portanto, fonte e norma de toda lei. O Estado é o libertador do indivíduo das dificuldades da sociedade. Rousseau salienta que o homem no estágio inicial encontra-se puro e livre para a sua escolha, entende que o que realmente modifica o homem é a sociedade, moral fundada na liberdade. Quando está surge, muda e transforma o homem. Para Rousseau, a civilização é vista como responsável pela degeneração das exigências morais mais profundas da natureza humana e sua substituição pela cultura intelectual.

Assim, o Contrato Social seria a única base legítima para uma comunidade que deseja viver de acordo com os pressupostos da liberdade humana. (ROUSSEAU, 1978, p.XX). Privilegiando, na obra do contrato social: a relação entre a natureza e a sociedade, moral fundada na liberdade, primazia do sentimento sobre a razão, teoria da bondade natural do homem. O objetivo primordial do Contrato Social está em assentar as bases sobre as quais legitimamente se possa efetuar a passagem da liberdade natural � liberdade convencional como mais adiante se verá(4) .

Outra contribuição relevante de Rousseau seria Emílio, um ensaio pedagógico, no qual procurou traçar em linhas gerais, o que deveriam fazer e seguir para tornar a criança um adulto bom.

Nesta obra, o autor mostra que diferentes etapas a educação do Homem deve seguir para que os indivíduos humanos se tornem cada vez mais livres e soberanos, mais autênticos e autônomos. A inspiração, como é fácil perceber, é a mesma que move Rousseau no plano da política. (FORTES, 1987, p.69).

Segundo Fortes (1987), em Emílio, o principal objetivo é imunizá-lo a todos os males que a sociedade pode manifestar, tentando desta forma, preveni-lo dos malefícios sociais. Mostrando para os outros a importância da escolha, ou seja, do livre arbítrio, e o respeito para com o desenvolvimento da criança. Foram várias as contribuições que as obras de Rousseau trouxeram para a Educação. Podemos salientar: que os processos educativos, tanto quanto as relações sociais, são sempre encarados pelo ponto de vista de liberdade de escolhas, outro aspecto é que todos homens nascem livres, sendo assim, a educação deve levar em conta o desenvolvimento da criança, a necessidade de torná-la auto-suficiente, sem esquecer que as necessidades iniciais são: físicas, relacionadas ao aperfeiçoamento dos órgãos dos sentidos. Foi o primeiro a se preocupar com as fases do desenvolvimento infantil, com a psicologia da memória e da razão, o poder da imaginação ou fantasia e o sentimento da realidade. Outro precursor de Rousseau foi Pestalozzi.

Johann Heinrich Pestalozzi

Houve uma grande influência na Europa do método de Educação proposto por Pestalozzi. Foram vários os países como: Suíça, França, Inglaterra, Rússia, Polônia, Espanha que adotaram a sua proposta educativa. Embora discípulo de Rousseau , Pestalozzi, trouxe algumas inovações para a área da educação.

Nasceu na Suíça no ano de 1746, filho de médico. Sua mãe, viúva, foi a principal responsável pela sua educação.“Seus ensinamentos escolares se relacionavam com a heróica História da Suíça e inspiravam nos estudantes um amor apaixonado pela justiça e pela liberdade”.(EBY,1978, p.376)Desde pequeno Pestalozzi procurava ajudar as pessoas, devido ao meio em que vivia cercado de miséria e pobreza. Pois quando seu pai faleceu, deixou a família sem nenhuma condição econômica. Na sua obra e vida, salientou várias vezes o sacrifício que sua mãe fez, para dar sustento a ele e seus dois irmãos. Pestalozzi tentou inicialmente seguir a sua vocação, para ser um pastor, porém no seu primeiro discurso desistiu de tal profissão. Priorizou o lar, a agricultura e a educação.

Na fase adulta fundou duas das principais instituições de ensino que lhe deram fama: O Instituto em Burgdorf, de 1800 a 1804, e um outro semelhante em Yverdun, de 1805 a 1825. Pestalozzi , sua mulher e professores residiam no instituto , porque para ele a escola deveria ser semelhante ao lar. Não concebia a escola como um espaço ou instituição � parte. Salientando que não deveria existir abismo entre o lar e a escola. Foi o primeiro a estabelecer horários diversos e a separar as crianças por faixas etárias diferentes. Afirmava que “o método de toda a educação pode ser resumido em uma simples regra: Seguir a natureza”.(EBY,1978, p. 388). Comparava o professor � imagem e semelhança de um jardineiro o qual deveria cuidar e dar condições para a planta se desenvolver. Por isso, o desenvolvimento deve ser espontâneo e livre de toda instrução educativa e deve ser extraída das próprias.

Johann Friedrich Herbart:

Nasceu em Oldenburgo, Alemanha, em maio de 1776, vindo a falecer em agosto de 1841. Filho de um brilhante advogado e mãe inteligente com forte gosto literário a qual sempre o acompanhou em seus estudos. Seu pai enviou-o � Iena com o objetivo de prepará-lo para a profissão de advogado, no entanto Herbart não apresentava nenhuma inclinação para o Direito. Tornou-se filósofo, psicólogo e teórico da educação a partir de sua experiência como preceptor particular dos três filhos do governador de Interlaken, na Suíça e também sob a influência de “Schiller, que nesta época, estava escrevendo suas Cartas sobre a Educação Estética do Homem”.(Eby, 1978, p.409)

Foi educando seus três alunos que Herbart confrontou-se com situações práticas de ensino, daí surgindo toda a sua contribuição para a pedagogia como ciência, dando rigor e cientificidade ao seu método; sendo o primeiro também a elaborar uma pedagogia que pretendia ser uma ciência da educação, foi o precursor de uma psicologia experimental aplicada � pedagogia. Por isso acabou sendo considerado o “Pai da Psicologia Moderna” e “Pai da moderna ciência da educação”.

O sistema educativo de Herbart é muito amplo e completo, aplicável desde a infância até a adolescência. Sua proposta de educação aspira sobretudo a formação do indivíduo, altamente moral, onde o principal resultado esperado é moldar os desejos e a vontade das pessoas.

O ponto culminante de sua doutrina pedagógica é conseguir a liberdade interior, cujo significado é que a criança se liberte de todas as influências do exterior e se transforme em um ser autônomo, com um forte autocontrole interno.

Para Herbart toda vida mental é o resultado da elaboração de impressões sensoriais que se transformam em representações (percepções e idéias) que por fim irão constituir os estados mentais superiores. Essas representações podem ser de duas espécies: as que nascem da experiência de coisas, onde a partir do concreto se dá o conhecimento dos objetos, das forças e das leis da natureza, que ele chama de conhecimento empírico; e as que vêm das relações pessoais, onde se aprende a natureza do homem, a moralidade e a religião que Herbart vem chamar de solidariedade.

Há três funções básicas da vida mental: conhecer, sentir e querer. O autor explica: ”Enquanto representa ou concebe, a alma é denominada mente; esta é a função de conhecer. Enquanto sente e deseja, é chamada coração ou disposição; estas são as funções de sentir e querer.” (EBY,1978, p.415)

Para ele toda aprendizagem é aperceptiva, ou seja, todo conhecimento novo vem por meio dos conhecimentos antigos, considera que a educação é possível e necessária, porém não é absoluta, pois varia com o tempo, o lugar e as circunstâncias. Ela se realiza pela instrução que é educativa e criadora. Daí surge o seu sistema que denominou “ instrução educativa” (GADOTTI, 1993, p. 99), onde o ensino deve fundamentar-se na aplicação dos conhecimentos da psicologia. Para tanto ele propõe cinco passos formais que favorecem o desenvolvimento da aprendizagem do aluno. Apresentamos aqui de forma resumida o que Frederick Eby (1978, p.427) apresenta com mais detalhes, quais sejam:

* Preparação: o mestre recorda o que já foi aprendido a fim de criar interesse pelos novos conteúdos;
* Apresentação: sempre a partir do concreto, o conhecimento novo é apresentado;
* Assimilação: o aluno é capaz de comparar o novo com o velho, distinguindo semelhanças e diferenças;
* Generalização: onde o aluno a partir das experiências concretas é capaz de abstrair, chegando a conceitos gerais;
* Aplicação: através de exercícios, o aluno evidencia que sabe usar e aplicar o novo conhecimento em novas situações onde as idéias passam a ter um sentido vital e não apenas um acúmulo de conteúdos.
Suas principais contribuições para o pensamento pedagógico foram sistematizações do seu o caráter de objetividade de análise; a tentativa de psicometria; o rigor dos passos a serem seguidos para a instrução e a método.

Para ele, o professor deveria ser carismático e ter a capacidade de gerar o interesse pela aprendizagem, sua missão era educar o “ser íntimo” da criança; os alunos eram como folhas em branco, sem conteúdo, o qual é adquirido através do processo de ensino, ou seja, “ao nascer, a alma é como uma folha em branco, não possui faculdades ou idéias inatas, mas apenas o poder de entrar em relação com o mundo exterior, por meio do sistema nervoso” (SANTOS, 1964, p.291) e a cultura moral que forma a vontade é mais importante que a cultura intelectual.

A partir do conceito de apercepção criado por Herbart, os métodos pedagógicos passaram a inspirar-se nas aquisições da psicologia. Todavia, a psicologia atual rejeita o associacionismo, o mecanicismo e o intelectualismo da psicologia herbartiana.

Friedrich Froebel:

Natural de Oberweibach na Alemanha, filho de um pastor protestante, ficou órfão de mãe em tenra idade e foi criado com certa aspereza pela sua madastra, dos 10 aos 14 anos foi morar com seu tio materno, também pastor, anos que considerou feliz.

Resultado de seu temperamento introspectivo passou a observar e interpretar as atividades das crianças, despertando nele um grande interesse pelas experiências de natureza infantil. Após várias tentativas em encontrar uma profissão de acordo com sua vocação, acabou por descobrir na atividade educativa uma sua aptidão que correspondia aos seus anseios .

Sua vida acadêmica iniciou-se com a escola primária, depois entrou para a Universidade de Iena, onde revelou grande aptidão para a matemática, ciências naturais, agricultura e arquitetura. Tornou-se em seguida, professor da escola de Grüner, discípulo de Pestalozzi a quem visitou em Yverdun. “Reconhecendo as deficiências de sua cultura científica, resolveu Froebel cursar, aos 29 anos, a Universidade de Göttingen, onde estudou línguas orientais, astronomia e minerologia”.(SANTOS, 1964, p.293.)

Sua principal obra foi A educação do homem (1826), onde escreveu que a educação é o processo em que o indivíduo desenvolve a condição humana auto-consciente. “Iniciando, em seguida, uma série de experiências no sentido de utilizar a atividade espontânea da criança como meio educativo” (SANTOS, 1964, p.294). Nessa mesma época interessa-se pelas possibilidades educacionais dos primeiros anos da infância. Daí surgirá a idéia inovadora de cultivar o estímulo das atividades das crianças que mais tarde receberá o nome de Jardim de Infância, onde as crianças eram consideradas como plantinhas de um jardim do qual o professor seria o jardineiro. A criança se expressaria através das atividades lúdicas.

Foi um defensor do desenvolvimento genético, que segundo ele ocorre nas seguintes etapas: infância, meninice, puberdade, mocidade e maturidade, etapas estas que não eram divididas em anos, mas por tendências centrais. Eby (1978, p. 441) nos explica que:

A tendência central ou aspecto nascente de cada fase controla todos os outros progressos e define o objetivo educacional para a fase específica. A plena realização de cada fase é essencial ao desenvolvimento adequado da seguinte. Não se pode pretender que uma fase seja mais importante do que a outra. Cada fase deve ser o que aquela fase exige, e não deve ser encarada, simplesmente, como uma preparação para a seguinte.

Uma das melhores idéias com que Froebel contribuiu para a pedagogia moderna foi a de que o homem é essencialmente dinâmico e produtivo, e não meramente receptivo. O homem é uma força e não uma mera esponja que absorve o conhecimento exterior. Com essa idéia ele mudou completamente o conceito tradicional do processo educacional. Para ele “O objetivo do ensino e da instrução é extrair sempre mais do homem e não colocar mais e mais dentro dele” e ainda “Tudo o que ela poderá ser e tornar-se está na criança e só pode ser atingido através do desenvolvimento de dentro para fora.” (FROEBEL apud EBY, 1978, p.446) Froebel foi o primeiro educador a valorizar o brinquedo e a atividade lúdica como forma de desenvolvimento intelectual na criança. Não ficando preso ao seu valor teórico, mas também em suas aplicações práticas, criando diversos tipos de brinquedos e elaborando diversas modalidades de recreação. A escola deve, portanto utilizar a auto-atividade da criança para que ela possa aprender as coisas mais importantes e úteis, não pelo estudo, mas através da própria vida.

Valorizou também a linguagem como sendo a primeira forma de expressão do ser humano a partir da qual se podem expressar os sentimentos; o desenho também teve grande significado para sua pedagogia, onde segundo Froebel, desenvolve a habilidade de pensar abstratamente. Outro ponto importante foi o que ele chama de atividades construtivas; onde o menino deve participar do trabalho da casa, como por exemplo cultivar seu próprio jardim, de uma a duas horas diárias.

A família recebe lugar especial dento da teoria educacional de Froebel, segundo ele, ela é o centro de toda atividade humana, é o meio mais favorável para se desenvolver a auto-expressão da criança, o cultivo da vida religiosa e humanizante do homem.

Mas o destaque da filosofia de Froebel foi a concepção de unidade, onde cada objeto é parte de algo mais geral e é também uma unidade, se for considerado em relação a si mesmo. No campo das relações humanas, o indivíduo é uma unidade, quando considerado em si mesmo, mas mantém uma relação com o todo, isto é, incorpora-se a outros homens para atingir certos objetivos. Eby (1978, p. 446) reforça isso quando nos coloca que:

Além do mais, seria uma interpretação errônea grave pensar na criança em qualquer fase como um indivíduo lutando sozinho para sobreviver e se desenvolver . Para Froebel, todas as atividades da criança, até mesmo as atividades físicas mais comuns, estão diretamente relacionadas com a vida social que a cerca. Como ela é um organismo em si e por si mesma, assim também ela é uma parte de organismos maiores, a família e a humanidade como um todo. Desde o início da vida ela age num meio social e toda sua conduta tem relação imediata com outros. Como conseqüência, o desenvolvimento de seus sentimentos socais segue, lado a lado, o desenvolvimento de seu poder produtivo. A expressão de objetivos e necessidades internas deve sempre ser integrada com a unidade social e o propósito comum.

Para Froebel, a unidade social era sempre um princípio de unidade universal, inclusive cósmica. Esse propósito de naturalização de um sentimento de amor pelo universo criado por Deus e transferido para a sociedade deveria ser compreendido e defendido pela educação. A identificação da educação com o desenvolvimento, a subordinação da ação educativa � atividade interessada da criança, a utilização do jogo e do trabalho manual como instrumentos da aprendizagem, são caracteres do sistema froebeliano que o tornam precursor das teorias educacionais contemporâneas. Todavia, a pedagogia científica rejeita o método das formas geométricas de Froebel, por abstrato e artificial.

Considerações finais:

As reformas educacionais propostas por estes educadores e filósofos preveniram a educação contra a memorização praticada pelos professores que não possuíam habilitações para a sua tarefa. Não podemos esquecer que neste período do século XIX era fortemente influenciada pelos preceitos da Igreja, não levando em consideração as etapas de desenvolvimento das crianças. Nem sequer tinham uma concepção definida de criança e do seu desenvolvimento, no entanto, através de experiências concretas tentaram entender a essência humana, onde a educação passa a ser um instrumento mediador para o homem ser o que deve ser. Foram eles: Rousseau foi um dos que lutou por uma sociedade e por um Estado guiado pela razão, explicava o mundo, pelo caminho da sensação, da natureza e da bondade. Pestalozzi influenciou não somente a Europa, mas também a América. Sua influência na divulgação do trabalho manual e educação agrícola. Em acréscimo � lavoura foram criados: a imprensa, alfaiataria, fabricação de calçados, etc... Para Herbart, o fim da educação e da instrução é a produção do homem de cultura, que é continuamente obrigado por um senso estético a lutar pela obtenção dos mais altos ideais éticos. Dentre todos os reformadores educacionais, Froebel foi muito exaltado por alguns e compreendidos por muitos. Ele considerava o homem como a planta humana. Compartilhava esta concepção com Pestalozzi e outros.

Mesmo com todas as dificuldades que cada um deles teve que vencer, temos até hoje a forte influência de cada um deles nas escolas brasileiras.

Bibliografia

ARCE, Alessandra. A pedagogia na era das revoluções: uma análise do pensamento de Pestalozzi e Froebel. Campinas/São Paulo: Autores Associados, 2002.
CAMBI, Franco. História da Pedagogia. São Paulo: Editora UNESP, 1999.
EBY, Frederick. História da Educação Moderna. Teoria, organização e práticas educacionais. 5. ed. Porto Alegre: Globo, 1978.
FORTES, Luiz Roberto Salinas. O iluminismo e os reis filósofos. São Paulo: Editora Brasiliense, 1987.
GADOTTI, Moacir. História das Idéias Pedagógicas. São Paulo: Editora Ática S.A,1993.
NISBERT, Robert. Os filósofos. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1982.
ROUSSEAU, Jean Jacques. Do contrato social : Ensaio sobre a origem das línguas; Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdades entre os homens; discurso sobre as ciências e artes. 2 ed. São Paulo: Abril Cultural, 1978.
______. Do contrato social : Ensaio sobre a origem das línguas; Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdades entre os homens; discurso sobre as ciências e artes. 3 ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983. SANTOS, Theobaldo Miranda. Noções de História da Educação. 10. ed., São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1964.

¹Mestranda em Educação. Contatos pelo e-mail: resviech@yahoo.com.br.
²Mestranda em Educação. Contatos pelo e-mail: solcollares@yahoo.com.br.
³Professora da Pós-Graduação da Universidade Estadual de Ponta Grossa-Pr, Coordenadora do Grupo de pesquisa História e Sociedade nos Campos Gerais-Pr e Secretária Executiva Nacional do HISTEDBR.
(4)Cf. nota de rodapé nº 11. In: ROUSSEAU, (1978).


Revista Saber Acadêmico UNIESP

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