quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Um touro diferente


A história de Ferdinando é uma lição de pacifismo e tolerância


Foto: Divulgação

É um movimento normal da mente humana voltar-se para a antítese, para o contrário, para a diferença. Isto já dizia Goethe em relação às palavras e conceitos: toda palavra suscita o seu antônimo. Falamos “alma”, vem à memória “corpo”. Pensamos em “noite”, vêm à tona “dia”, “manhã”, “alvorecer”.

A ironia, por exemplo, trabalha com o oposto do explícito. Machado de Assis dizia que era fácil suportar a cólica do próximo. Sem dúvida, a dor do outro está do outro lado, e não me afeta diretamente. A tristeza da dor alheia não me diz respeito, se não pratico a solidariedade. Também o paradoxo baseia-se nessa estratégia intelectual: o mito definido como “o nada que é tudo”, nas palavras de Fernando Pessoa, diz tudo.

A sempre empolgante luta entre o bem e o mal demonstra que polaridade jamais enfrenta problemas de aceitação. Amor e ódio, certo e errado, sim e não, justo e injusto, verdade e mentira, céu e inferno (com um terrível purgatório no caminho de Dante), vida e morte… Romances, filmes, teatro, música, pintura, e todos os diálogos em que Sócrates buscava o que não é para saber o que de fato é. Eis o jogo que leva torcidas e leitores ao delírio.

Ferdinando está de volta

Em 1936, o escritor e ilustrador norte-americano Munro Leaf publicou um livro que rapidamente tornou-se long-seller internacional, com base nas antíteses forte x sensível, ferocidade x mansidão, violência x não violência. The story of Ferdinand, cujo título em português é O touro Ferdinando, completa este ano 82 anos de promissora carreira. Já foi editado em inúmeros países e recebeu duas adaptações para o cinema: em 1938, pelos estúdios da Disney, e agora, em 2018, pela Blue Sky Studios (com direção do brasileiro Carlos Saldanha).

A simplicidade da história (que foi escrita pelo autor em menos de uma hora) realça o contraste entre o mundo da força venerada e o comportamento pacato do touro Ferdinando. O touro que gosta de cheirar flores jamais terá a performance que dele se espera na arena. Em lugar de distribuir chifradas contra toureiros famosos, Ferdinando prefere a tranquilidade do campo. Seu fracasso como animal agressivo não lhe causa o menor aborrecimento. É feliz sendo o que é: um touro diferente.

Por que será O touro Ferdinando (Editora Intrínseca, 2017) leitura educadora? Ferdinando surpreende desde quando era ainda bezerro. Desde pequeno, evita as brincadeiras brutais dos seus colegas de idade. Não gosta de ficar pulando e trocando cabeçadas com os outros bezerros. Para que isso? Prefere ficar sentado, à sombra de uma frondosa árvore, no meio das flores. Ferdinando é um autêntico pacifista. Não à toa, Gandhi e Martin Luther King se encantaram com a narrativa.

Sua mãe, observando o estranho comportamento do filhote, ficava apreensiva. Temia que ele se sentisse sozinho. Ela o procura para conversarem:

— Por que você não brinca de correr, pular e dar cabeçadas com os outros bezerros? — perguntava ela.
Mas Ferdinando respondia:
— Prefiro ficar aqui, quietinho, cheirando as flores.
E assim ela entendeu que Ferdinando não se sentia sozinho. Por ser uma mãe compreensiva, mesmo sendo uma vaca, deixou que ele ficasse ali, quietinho e feliz.

A presença e a compreensão da mãe faz-nos pensar, por outro lado, na falta de compreensão do pai. Aliás, o pai de Ferdinando nem aparece na história. A ausência da figura masculina pode indicar que Ferdinando fosse órfão. Terá o pai dele morrido num espetáculo tauromáquico? É bem possível. Ferdinando herda do pai a força e o tamanho, mas, por algum motivo, não compartilha com os outros touros do pasto o sonho de ser escolhido para as tradicionais touradas espanholas.

Paz e guerra

O sucesso de O touro Ferdinando deve-se à sua contraproposta num tempo de ódios e conflitos. Entre 1936 e 1939, precisamente na Espanha, onde se passa a história, vivia-se a guerra civil. Logo depois, estouraria a Segunda Guerra Mundial. Conta-se que o ditador Franco proibiu que o livro fosse traduzido para o espanhol. Hitler, na Alemanha, disse que se tratava de “propaganda da democracia decadente”, e apenas em 1946 o livro pôde ser lido em alemão: Ferdinand, der Stier (“Ferdinando, o touro”).

Nos Estados Unidos, na mesma época, a crítica dividiu-se. Uns diziam que era um livro comunista, pacifista (algo malvisto em tempos de guerra…) e fascista. Outros afirmavam que era, na verdade, uma sátira ao comunismo, ao pacifismo e ao fascismo. Quando perguntaram ao autor o que pensava ele dessas reações contraditórias, respondeu simplesmente: “O touro Ferdinando é um filósofo”.

Quando cinco homens estranhos foram procurar no campo um touro musculoso e veloz para participar da próxima tourada em Madri, Ferdinando, graças ao acaso de uma ferroada de abelha, pulou, bufou e deu tantos coices no ar que, sem querer, chamou a atenção dos observadores e foi conduzido direto para a capital. Com a intenção de atrair o público sedento de sangue, deram ao jovem touro um cognome assustador: “Ferdinando, o Feroz”!

Ferdinando, porém, no final, por mais que o provocassem, só queria sentir o perfume das flores que enfeitavam os chapéus das mulheres presentes ao evento:

Não importava o que fizessem, Ferdinando se recusava a lutar e ser feroz. Continuava ali sentado, cheirando as flores. Os bandarilheiros ficaram com raiva, os picadores ficaram com mais raiva ainda e o toureiro chegou a chorar de tanta raiva, por não poder se exibir com sua capa e sua espada.

Ferdinando ensina, entre outras coisas, que uma atitude de paz (atitude estética, representada pela fruição do aroma das flores) pode intensificar a raiva dos senhores da guerra. Felizmente, na ficção, levam o touro Ferdinando de volta para o campo. Infelizmente, na história humana, a raiva pode ser cruel com quem pensa e age diferente.

“Bode expiatório” e “atirar a primeira pedra”: as expressões cotidianas que tiveram origem na Bíblia


Se metáfora fosse campeonato de pontos corridos, o futebol seria campeão com muitas rodadas de antecipação – mas o vice talvez ficasse com a Bíblia


Imagem: Bíblia de Lutero

Quais são os grandes referenciais de comunicação comuns a todos os brasileiros? Ao contrário de outros países e épocas, não temos clássicos que todos tenham lido; nem riquíssimos repertórios de provérbios, que, no Oriente, são conhecidos por qualquer criança. Não são patrimônio de todos episódios da história pátria, que possam ser trazidos para aplicação a outros casos. Nem um Alcorão, que nos países árabes abastece de metáforas e frases feitas os diversos setores da vida secular.

Para nós, o futebol é de longe o principal fornecedor de metáforas e expressões para a vida cotidiana: situações políticas, econômicas, afetivas, profissionais etc. são rapidamente compreendidas por meio do recurso a seu amplíssimo repertório. Um par de exemplos, de comunicação aparentemente difícil, mas que se tira de letra, bem e rapidamente, evocando o futebol.

Anedotário

Dois amigos em um restaurante vão pedir pratos individuais e querem, de algum modo, compartilhá-los. Um deles diz:

– “Vamos pedir dois pratos e a gente divide.

Ao que o outro, responde:

– Divide, não: o mando de jogo da carne é meu; o do peixe, é seu”. (Não vai ser meio a meio, mas…)

Final de semestre; a prova final já foi feita, o professor pretende dar aulas muito abreviadas e simbólicas, mas não pode dispensar formalmente os alunos (embora queira passar a mensagem de que vai fazer vista grossa na presença e “esquecer” de fazer a chamada…), mas, claro, não quer formalizar esse relaxamento. E diz:

– Bom, gente, nosso curso praticamente acabou. Ainda temos mais duas aulas, mas é só para cumprir tabela…
Mesmo os que não se interessam por futebol acabam valendo-se de sua linguagem, tal a viveza e o interesse de sua vigência para o brasileiro.

Vice-campeão

Se metáfora fosse campeonato de pontos corridos, o futebol seria campeão com muitas rodadas de antecipação. Mas, e para saber quem é o vice? Bom, aí embolou o meio de campo…

Talvez a Bíblia. Com a desvantagem de que suas metáforas e expressões são usadas, mas sem que se tenha o mesmo vigor e, em alguns casos, os usuários nem se lembram da proveniência bíblica desta ou daquela expressão. Quando Eike Batista diz “Atire a primeira pedra o motorista que nunca tomou uma multa por excesso de velocidade”, seus ouvintes entendem, mas poucos talvez evoquem o episódio de Jo 8, 7, no qual Jesus impede o apedrejamento da mulher adúltera. Para não falar do “bode expiatório” de Lv 16, 8-10; 20-22; que alguns chegam a pensar que é um bode que fica espiando e acaba por levar a culpa.

Recolhemos a seguir algumas expressões e frases feitas, cuja origem bíblica não é evidente para todos (em alguns casos, não se tratará necessariamente de origem, mas de alguma relação de sentido com este ou aquele versículo).
Provérbios do cotidiano

• Quem procura… – Quem, ao ver o célebre slogan-provérbio do SBT em fins dos anos 80 (então, ainda TVS), se lembraria de que é literalmente uma frase de Jesus Cristo (Mt 7, 8): “Quem procura, acha” (ao qual Sílvio Santos acrescentou apenas o advérbio: “Quem procura, acha… aqui”).

• Quem com ferro fere… – Jesus inspirou alguns ditos proverbiais comuns na linguagem popular. Muitos podem se escandalizar ao saber que é bíblico (do Velho Testamento) o duro “Olho por olho, dente por dente”, prescrito três vezes (Ex 21, 24; Lv 24, 20 e Dt 19, 21), mas revogado por Cristo (Mt 5, 38), que propõe, em seu lugar, a também proverbial “oferecer a outra face” (Mt 5, 39) e ainda (Mt 26, 52) a advertência: “quem empunha a espada, pela espada perecerá” (ou, se se prefere: “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”). Também é de Jesus, a comparação “Cego que guia outro cego” (Mt 15,14; Lc 6, 39).

• Quem semeia ventos… – São bíblicos os conhecidos provérbios: “Quem semeia ventos, colhe tempestades” (Os 8, 7) e: “Quem dá aos pobres, empresta a Deus” (Pv 19, 17).
Expressões populares

• Dois pesos e duas medidas – É expressão bíblica presente em Prv 20, 10.

• Umbigo do mundo – No sentido de alguém se considerar o centro de tudo, o mais importante: tabur haaretz (umbigo da terra) aparece em Jz 9,37 e Ez 38,12.

• Dar murro em ponta de faca – Formulação ligeiramente modificada de At 26, 14, que recolhe a fala de Cristo a seu perseguidor Saulo: “Dura coisa te é recalcitrar contra o aguilhão”.

• Cruzar os braços – A expressão, hoje corriqueira e integrante do vocabulario sindical, aparece nas formas “cruzar os braços” e “ficar de braços cruzados” já com o sentido de “não trabalhar”, em Pv 6, 10 e Ecl 4,5.

• Adeus – Usado para despedida que se presume definitiva (e, portanto, encomendo-te a Deus), encontra-se em Atos: Paulo despede-se da comunidade e diz “Não voltareis a ver o meu rosto… a Deus vos encomendo” (At 20, 25 e 32).

• O demônio do meio-dia – Uma expressão curiosa, não proverbial e mesmo desconhecida pelos falantes contemporâneos, que o escritor Andrew Solomon foi buscar no Salmo (90[91], 6), na tradução da Vulgata, para o título de seu livro, já clássico sobre a depressão O demônio do meio-dia (The noonday demon).
“Vá para a pqp”

Embora se trate de forma bem portuguesa, a fórmula de insulto: “vá para a puta que o pariu”, ganha sentido às luzes da Bíblia. Como frequentemente ocorre, frases feitas tendem a ser repetidas automaticamente, sem que se atente a seu sentido original. O significado exato de mandar para a pqp faz-se presente no confronto dos cariocas e do mineirinho, que recolho de um destacado site de piadas (orapois.com.br), seção “mineiro”:

Dois cariocas muito espertos foram passar umas férias em Minas.

Ao chegar, um pergunta ao outro:

– Vamox tirar uma com o primeiro mineiro que aparecer nessa extrada?

– Aí, beleza, cara, vamox nessa!

Logo à frente, aparece um mineirinho acanhadinho, coitado…

Os cariocas param o carro e um deles pergunta:

– Aí, mineirinho, para onde nóx vamox falta muito?

O mineirinho, muito acanhado, responde:

– Depende uai! Se oceis vão pra puta que o pariu já passaram; se vão à merda, falta dois quilômetros [a cidadezinha rival]; agora se vão tomar no c é aqui mesmo…

A mensagem subjacente quando se manda alguém para a pqp é a de que o indivíduo mau, sacana, chato etc. não tem lugar no convívio humano e não deveria ter saído da barriga da mãe (no caso, a responsável por ele ser o fdp que ele é…) e para lá deve ser reencaminhado… A ideia de voltar ou de não ter saído do ventre materno ocorre na Bíblia: daquele que o vai entregar, Jesus diz que melhor lhe fora não ter nascido (Mt 26, 24; Mc 14, 21) e o profeta Jeremias, nesse caso, diante das desgraças que sofre, lamenta por ter saído do ventre materno (Jer 20, 14 e ss.). E quem se comporta como néscio, diz o Eclesiástico (23, 14), chegará a desejar voltar ao ventre da mãe, amaldiçoar o dia em que dele saiu…
Semitismos da linguagem

Modos de falar também sofrem influências (ao menos semelhanças) dos raciocínios bíblicos.

Superlativo duplicado

Uma forma de superlativo semita é a conhecida “x dos x”. Aparece, por exemplo, em Apocalipse 17, 14 (ou 19,16), quando se diz de Cristo, que é Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Curiosamente, esse formato bíblico reaparece (surpresa das surpresas) no hino do Corinthians: “Salve o Corinthians, o campeão dos campeões”.

Note-se, apenas de passagem, que o próprio nome do time brasileiro é bíblico, remete à Epistola aos Coríntios (em inglês, Corinthians). Mais precisamente à passagem em que São Paulo compara os esforços requeridos pela vida cristã aos de atletas e corredores que desejam vitórias (I Cor. 9: 24 e ss.).

No século 19, ante o preconceito de igrejas contra o esporte (“culto ao corpo”, etc.), o aval do Apóstolo era usado por cristãos esportistas que invocavam a Epístola (daí o nome do time inglês Corinthian, que inspirou o nosso Corinthians).

O uso do passado para indicar futuro

A gramática semita pode valer-se do passado para expressar o futuro, que aparece, assim, como mera resultante do passado. Como ensina Aida Hanania, falando da peculiar visão semita do tempo, ancorada no passado:

“É como se, nessa visão monolítica do tempo, o presente e o futuro não tivessem autonomia em face do passado, este, sim, determinante e determinador. Essa preponderância do passado repercute na gramática”.

Diz o Eclesiastes (1,9): “O que foi é o que será; o que se fez é o que se tornará a fazer: nada há de novo sob o sol!”.

O futuro é, assim, até em termos gramaticais, determinado pelo passado e por ele expresso em sentenças proverbiais, como em “Quem semeia ventos, colhe tempestades”, que no original soa: “semeou ventos, colheu tempestades”.

Tal fato torna-se compreensível quando nos lembramos de alguns exemplos de uso semelhante em nossa língua, especialmente em linguagem publicitária. Como na campanha de 2012 da Skol retornável: “Trocou, economizou” (quem trocar, economizará); ou na antiga do Estadão: “anunciou, vendeu” (quem anunciar, venderá). Ou a da Sedex “mandou, chegou” (se mandar, chegará). E se escrever e não ler, o pau comerá (“Escreveu, não leu, o pau comeu”). E quem bater, levará (“Bateu, levou”).

* Jean Lauand é Professor Titular Sênior da Faculdade de Educação da USP e professor das Faculdades Integradas Campos Salles

Darcy no reino dos áulicos


“Ajudantes de ordens” que vivem à sombra do poder negam educação a milhões de brasileiros; leia mais na coluna de José Pacheco



Crédito: Shutterstock

Na obra O Brasil como problema, Darcy questionava: “Qual é a causa real de nosso atraso e pobreza? Quem implantou esse sistema perverso e pervertido?”. E propunha um diagnóstico dos obstáculos cruciais, que a nação brasileira precisaria ultrapassar, para se desenvolver. Nesse livro, o maior dos obstáculos seria a nefasta ação de um certo tipo de intelectual: o áulico.

O áulico é um ajudante de ordens, aquele que está contente com o mundo tal qual é, e faz o seu papel. E o raciocínio do Darcy permanece atual. Ainda hoje, os áulicos prosperam, vivendo à sombra do poder, produzindo ideias irrelevantes, planos inconsequentes, ou contribuindo para destruir qualquer esboço de inovação educacional.

Identificamos dois tipos de áulicos: os ingênuos e os esquizofrênicos. Os primeiros controlam estruturas do poder público. Os outros infestam universidades e comissões de especialistas. Deixemos estes para próximo artigo e reflitamos sobre diatribes dos ingênuos.

A comunicação social, pródiga em notícias de maus-tratos infligidos à Educação, diz-nos que áulicos verea­dores enquistados no poder público reveem o Plano Municipal de Educação, aproveitando a oportunidade para o extirpar do que não lhes convém manter. A Meta 19 foi quase ignorada. Agora, suprimem a Meta 18, aquela que visa implementar a Educação em Direitos Humanos na Educação Básica, viabilizar ações de combate ao preconceito e discriminação no ambiente escolar. Em total impunidade, “ingênuos” vereadores não cumprem o Plano Nacional de Educação, contribuindo para negar o direito à educação a milhões de jovens brasileiros.

Nas escolas particulares, onde educação se converte em mercadoria, as novas tecnologias assumem-se como diferencial de mercado. Na ânsia de deter a queda da taxa de evasão e para melhorar a captação de alunos, ingênuos gestores recorrem a áulicas consultorias, especializadas no uso da tecnologia para atrair pais e para captar alunos.

O drama se repete nas escolas (ditas) públicas. Em mais uma manifestação de ingenuidade pedagógica e para fomentar o envolvimento das famílias na vida escolar dos filhos, uma secretaria de Educação decidiu abrir concurso e acolher propostas de empresas especializadas em “mecanismos para motivar o aluno e em ferramentas para melhorar a gestão escolar (…) com o objetivo de aumentar a aprovação”. O regulamento do concurso estabelece que apenas poderão concorrer organizações que já tenham prestado serviços envolvendo um mínimo de 5.400 alunos. Mas, o que se poderá esperar de tais organizações, certamente altamente especializadas em projetos conduzidos por áulicos? Exatamente o que os áulicos autores de anteriores projetos produziram: o desperdício de mais alguns milhões.

O secretário de Educação justifica a medida: A educação está anacrônica. O jovem pressente isso e foge. Buscamos alternativas para esse fracasso. Mas o zeloso secretário insiste em anacrônicas medidas de política educativa.

Como diria o Frederico, no reino dos áulicos, reinam a lisonja, a mentira, a ostentação, o usar máscaras, o fato de brincar de comediante diante dos outros e de si mesmo. Mas a crise ética instalada também é tempo de oportunidades. E quase nada é mais inconcebível do que o aparecimento de um instinto de verdade honesto e puro. Oremos…

CIENTISTAS NEGRAS NO BRASIL: ELAS EXISTEM?

A necessidade de insistir na diversidade para romper com ‘silenciamentos’ e desigualdades. Fiz a opção de subverter a ordem das coisas na es...