domingo, 8 de maio de 2011

Para aprender sem desaprender

Paulo de Camargo

free-lance para a Folha de S.Paulo

O prazer, o interesse e a motivação são decisivos para a aprendizagem. "O cérebro tem capacidade finita, ainda que muito grande. Mas a capacidade de aprender depende da motivação. Um péssimo aluno na escola fundamental pode fazer uma excelente pós-graduação, pois a razão do desempenho ruim poderia ser só uma manifestação de desinteresse", considera o neurocientista Sidarta Ribeiro, da Universidade Rockfeller, em Nova York.

O resultado da energia despendida no estudo também está ligado a um outro perigo dos tempos modernos: a ansiedade. Segundo Ribeiro, existe um nível ótimo de ansiedade de aprender, além do qual o esforço é contraproducente. "Uma pessoa desmotivada aprende mal, mas o mesmo acontece com uma pessoa excessivamente ansiosa. A curva de aprendizado em função de estresse é um U invertido, sendo o máximo da curva o ponto ótimo, isto é, no meio", explica o neurocientista.

Mas é preciso lembrar que o aluno não é um vaso a ser preenchido com litros de informação. De acordo com a educadora Evelise Portilho, professora da PUC do Paraná, "os caminhos da aprendizagem passam necessariamente pelas características individuais de cada um: seu gosto, seus interesses e sua maneira de incorporar novas informações".

Segundo ela, cada um pode identificar características do próprio estilo, ao observar como aprende algo nas situações nas quais se envolve por prazer. Por exemplo, se a pessoa é do tipo que gosta de passar horas debruçada sobre um manual de instruções até aprender a instalar um novo eletrodoméstico, esse procedimento indica uma grande capacidade de concentração e persistência, o que vale para outros momentos de aprendizado.

Outra pista importante para conhecer o próprio jeito de aprender, dizem os educadores, é que todos tendem a repetir dificuldades históricas. Quem sofreu com a organização das informações, por exemplo, pode continuar sofrendo com isso. Mas ânimo. "Não há quem não tenha dificuldades, assim como não há dificuldades que não possam ser superadas", diz Evelise.

Qualquer que seja o método, porém, é preciso vencer a idéia de que aprender é decorar. "A aprendizagem é um processo integrado de aspectos conceituais, emocionais e até físicos", diz o consultor José Ernesto Bologna.

Para ele, é imediatismo achar que basta comprar o livro e responder às perguntas no fim do capítulo. "Isso é vício, e não aprendizagem", conclui.
Folha de S.Paulo

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